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20.06.2012 | Opinião

Será que os fins justificam os meios?

Será que os fins justificam os meios?

Cada dia eu me convenço mais de que não vi tudo nem vou ver até que eu passe desta aqui para melhor. Como diz o velho ditado, “Nada como um dia depois do outro”, e na política, estou plenamente convencido de que tudo é possível, até mesmo o inimaginável.

Até pouco tempo não era interessante convidar Paulo Salim Maluf e Luis Inácio Lula da Silva, para estarem no mesmo recinto. Eles eram mortais inimigos.

Entre as muitas “farpas” que trocaram, seguem algumas:

  • "Se o civil tiver que ser o Paulo Maluf, eu prefiro que seja um general".

Luís Inácio Lula da Silva, durante a eleição presidencial de 1984.

  • "O problema do Brasil não está no deputado Paulo Maluf, mas sim nos milhares de 'malufs'.

Luís Inácio Lula da Silva, em 1986

  • "Faz 15 anos que Lula não está no torno, que não conta como vive, quem paga seu salário".

Paulo Maluf, quando era prefeito de São Paulo, em 1993.

  • "Quem votar em Lula vai cometer suicídio administrativo".

Paulo Maluf, quando era candidato a presidente em 1993.

  • "O símbolo da pouca-vergonha nacional está dizendo que quer ser presidente da República. Daremos a nossa própria vida para impedir que Paulo Maluf seja presidente".

Luis Inácio Lula da Silva ( presidente do PT ), no Comício das Diretas Já, na Praça da Sé, em 1984.

  • "Perto do Lula e do Fernando Henrique Cardoso, eu me considero comunista".

Paulo Maluf, em crítica ao governo federal, em 2007.

  • "Declaração infeliz do presidente. Ele não está a par do problema, e se ele quiser realmente começar a prender os culpados comece por Brasília. Tenho certeza de que o número de presos dá a volta no quarteirão, e a maioria é do partido dele, do PT".

Paulo Maluf (ex-prefeito), em 2005, sobre as declarações de Lula a respeito de sua prisão.

  • "Se o Maluf é pescador, ele sabe que pegar lambarizinho é muito mais fácil que pegar peixe graúdo".

Luiz Inácio Lula da Silva, Lula, em 2003, ao falar sobre o combate ao crime organizado em São Paulo.

Mas vamos lá...

O anúncio da aliança entre o PT de Lula e Paulo Maluf (PP - lembrem-se PDS e Arena), em apoio à pré-candidatura do ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, à prefeitura de São Paulo, foi confirmado nesta segunda-feira (18).

Os inimigos históricos selaram a união depois que o engenheiro Osvaldo Garcia, aliado de Maluf, foi nomeado Secretário Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades. O velho toma lá dá cá, símbolo do fisiologismo que assola o país, um país que não possui mais oposição.

Paulo Salim Maluf é procurado pela Interpol, aparece na lista dos corruptos brasileiros divulgada nesta semana pelo Banco Mundial com dados em que cita 150 casos internacionais de corrupção. Maluf aparece com o banqueiro Daniel Dantas.

Maluf é o representante da direita paulistana na época da Ditadura Militar, que tanto persegui o PT e seus companheiros.

Mas como os fins justificam os meios, o PT está é de olho no 1 minuto e 35 segundos dos socialistas de direita do PP que dará a Haddad vantagem de um minuto sobre Serra no horário eleitoral da TV.

A indignação entre a esquerda brasileira foi e está sendo muito grande.

O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) criticou a aliança e questionou o fato de integrantes do PT serem responsáveis por comentários negativos ao que chamam de Partido da Imprensa Golpista (PIG), termo criado por Fernando Ferro (PT-PE). “Pergunta: que moral tem uma pessoa pra falar em ‘PIG’ quando seu partido está de braço dado com Maluf, Collor, Sarney, Crivella e Malafaia?", escreveu o parlamentar socialista nas redes sociais.

Já a senadora Marta Suplicy (PT-SP) ironizou a aliança de seu partido com o ex-rival e agora “mui amigo” de Lula, dando a entender que seria menos ruim a legenda ser apoiada pelo prefeito da capital paulista, Gilberto Kassab. “Achei que seria pesadelo com Kassab, imagine agora com o Maluf”, disse.

Após o PT e o PP selarem oficialmente o acordo em São Paulo, a pré-candidata a vice da chapa de Haddad, deputada federal Luiza Erundina (PSB) pulou fora do barco, pois conforme confessou em entrevista ao Estadão, será “desconfortável” dividir um palanque com Maluf.

Em entrevista ao site da revista Veja Erundina afirmou: “É constrangedor ver Lula e Haddad na casa de Maluf celebrando essa aliança. No momento que instalamos a Comissão da Verdade para desvendar crimes da ditadura, o PT se alia a um dos tentáculos da ditatura militar”.

A deputada questiona se vale a pena se aliar a “forças nefastas da política brasileira” em troca de “um minuto a mais” no tempo de televisão.

Esta ação do ex-presidente Lula, está sendo considerada desastrada por alguns aliados, pois afastou definitivamente Marta Suplicy dos palanques de Haddad e agora sepultou a chance de ter a companhia de Luiza Erundina, que é muito bem avaliada na periferia de São Paulo.

Como disse no início, nada como um dia depois do outro.

O (até agora) grande timoneiro do Partido dos Trabalhadores mostra até que ponde se vai para atingir o poder.

Será que os fins justificam os meios?

Só a história vai responder>





Opinião do internauta

  • RAQUEL MADRUGA (21.06.2012 | 09.03)
    Tudo está justificado! O Maluf "rouba, mas faz!!" hehe

  • sergio silveira (20.06.2012 | 12.52)
    Pergunta simples, resposta óbvia. O que o homem faz para atingir seus objetivos? Usar os meios existentes. Caso os meios utilizados forem ineficientes os fins não serão atingidos. São escolhas que as instituições privadas, públicas, partidos políticos, empresas e/ou pessoas individualmente tomam, face a objetivos traçados, com intenção de alcançar seus fins. Criticar uma aliança espúria/antagônica politicamente, mas que atingirá seus objetivos, é inveja ideológica. Não conseguiram cooptar o partido em questão, então criam o fato do absurdo de tal coligação. Com o Cassab foi mesma coisa. Quando era aliado da direita, a tal revista fez uma apologia impressionante do prefeito. Homem sem defeito nenhum. Após independência política desse Sr., virou um traíra, um demônio. Ingênuo seria fazer uso de meios puros, cristalinos, e por si só, completamente ineficiente para atingir os fins. Isso é o sonho da oposição, ou seja, que o PT nunca fizesse alianças, ficasse puro, cristalino, apenas um crítico fervoroso das malversações dos recursos públicos. Para a direita desse país, isso seria o ideal, pois assim ela se perpetuariam no poder. A intenção da midia, aquela que conhecemos - monopólio conhecidíssimo, conjuntamente com a revista que se diz "referência/portavoz da classe média" , é induzir os menos esclarecidos que isso é anti-ético, é uma aliança de bandidos, etc. O PT somente chegou ao poder pelas alianças, muitas delas antagonicas politicamente. Os meios para alcançar o poder, foram as alianças. Os fins foram alcançados, logo as alianças foram os meios indispensáveis para tal. Então, os meios justificam os fins, desde que esses fins tenham intensões de avanço. Isso se verifica em qualquer atividade do ser humano. Nas mais competitivas isso é mais conflitante e aviltante, ainda. Usamos de todos os meios para alcançarmos nossos objetivos. Quem não entra no jogo, favorece os conhecidíssimos espertos.

  • James (20.06.2012 | 07.47)
    No mínimo estranho o comentário... Até parece que o PT do mensalão e Lulla, seu chefão, eram alguma espécie de "gente boa" que tiveram um "pequeno tropeço" a se aliar com Maluf... Vejo mais como o grande varejista que incorpora um pequeno armazém de bairro... Quanto à pergunta da coluna, deves conhecer Lênin, que não perguntava, afirmava isso, e não por acaso é o mentor do PT e especialmente de "gente boa" (ah ah ah) como um certo governador...

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