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22.06.2012 | Opinião

Meu documento mais importante

Meu documento mais importante

Quando o general Ernesto Geisel chegou ao poder, ele não contava com o apoio de seu antecessor, o general Emílio Garrastazu Médici.

O novo presidente integrava um grupo de militares conhecidos como “castellistas” (partidários do ex-presidente Humberto de Castello Branco) e foi uma derrota da linha-dura do regime militar.

Geisel era favorável à devolução gradual dos poderes aos civis e estava disposto a promover, conforme suas palavras, um processo gradual, lento e seguro de abertura democrática.

O governo começou então sua ação democratizante diminuindo a severa ação da censura sobre os meios de comunicação. Logo a seguir, garantiu a realização, em 1974, de eleições livres para senadores, deputados e vereadores.

Mas nas eleições de 1974, o crescimento da oposição, ainda aglutinada no então MDB (Movimento Democrático Brasileiro), mostrou-se patente. Os veículos de comunicação, em seus horários gratuitos e obrigatórios, foram uma arma muito bem utilizada pelos opositores ao regime militar.

Lembro até hoje dos debates, que pasmem, eram livres entre os candidatos.

O único partido de oposição ao regime, o MDB, atingiu em cheio a hegemonia da então toda poderosa Arena (Aliança Renovadora Nacional), partido que dava sustentação ao regime militar brasileiro que se instaurou através do golpe, ou revolução como queiram, de 31 de março de 1964.

O ex-ministro da Justiça, Armando FalcãoA derrota eleitoral da Arena assustou a linha dura, tanto militar quanto civil, esta última talvez até mais dura que os militares. Foi aí que em 24 de junho de 1976, o governo promulgou a Lei Falcão, que impedia o debate político nos meios de comunicação, particularmente no rádio e na televisão.

Esta lei determinou que na propaganda eleitoral, os partidos se limitassem a mencionar a legenda, o currículo e o número do registro do candidato na Justiça Eleitoral, já na televisão, sua fotografia, podendo ainda mencionar o horário e o local dos comícios.

A Lei Falcão ficou conhecida por esse nome devido a seu criador, Armando Falcão, então Ministro da Justiça do regime militar.

Depois de tudo que passamos em décadas sem democracia no Brasil, devemos valorizar ainda mais esta conquista.

Quando me lembro destes fatos que vivemos num passado ainda recente, valorizo ainda mais o documento mais importante que possuo, meu título eleitoral.





Opinião do internauta

  • Aldemis Rodolfo da Cunha (23.06.2012 | 13.57)
    No fim da década de 1970 eu, que tenho tendência esquerdista, vivia o período mais pessimista de minha vida. Estava tão desiludido com o rumo do nosso país, que tinha uma certeza: a maioria da população iria morrer de fome. Meus pais possuíam uma propriedade urbana com uns 800 m². Resolvi sugerir a eles que fizessem uma plantação de aipim, para não morrerem de fome - nem que tivessem de comer só aimpim por muito tempo. Demorei muito a perceber meu engano. O problema maior não estava no país, mas em mim. Os governos têm, sim, muita responsabilidade pelas coisas que acontecem, mas eles não determinam todo o rumo da vida de todos. Penso que hoje, quando o país é governado por políticos de tendência esquerdista, muitos vivem uma desilusão semelhante a que eu tinha. Felizmente, estão enganados. Nosso país tem melhorado e vai continuar melhorando, mesmo que grande parte da população, que tem tendência direitista, julgue, justamente, o contrário.

  • Marcelo Rosa Gomes (22.06.2012 | 09.35)
    Pois eu já larguei de mão. O meu documento mais importante é o passaporte, assim fico longe disto tudo!!

  • H.B.Martins (22.06.2012 | 00.40)
    Prezado Jornalista Ricardo Orlandini.. Também valorizei isto, embora tenha servido neste periodo militar (quase 7 anos) que uns chamam de ditatorial ou golpista de então, ao sair para o meio civil novamente entendi que as eleições era uma grande conquista. Votei desde então. Cumpri com este dever (obrigatórios) civico. Mas sinceramente, hoje, só voto pela obrigatoriedade, não mais por civismo, já que nossos representantes mudaram muito desde então. Não vou nem comentar no que, pois é óbvio e todo mundo sabe. Não admiro mais a politica partidária, pois ela perdeu aquele brilho patriótico da conquista das chamadas liberdades politicas e da cidadania. Não vejo e não sinto a essência disto mais. Nossos politicos não demonstram o memso substrato nacionalista d enetão. Observa-se hoje somente as combinações para interesses de grupos e partidos. A politica e os politicos perderam este perfil. Desta forma esta "cartãozinho verde" que tem priscas eras foi motivo de orgulho, hoje a meu ver perdeu este valor, pois ao usar-se o mesmo, elegendo nossos representantes de eleição em eleição nada muda, embora se espere apos buscar novas caras, novos conceitos uma esperança de que não se elegendo os veteranos algo venha mudar. mas na realidade isto não vem ocorrendo. Como disse voto por obrigação, não por orgulho. Grato pelo espaço. H.B.Martins (advogado)

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