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25.06.2012 | Opinião

Perigosa omissão

Perigosa omissão

O Bullying é um termo inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully ou valentão) ou grupo de indivíduos, com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender.

Ao lado do quase total desrespeito aos professores (que também sofrem com o Bullying), esta prática de intimidação é corrente em escolas de todo o mundo, e aqui no Brasil não é diferente.

Ontem à noite assistia ao Programa Fantástico quando apareceu a matéria intitulada “Alunos filmam brigas entre meninas dentro das escolas”: As cenas de violência vão parar na internet. São socos, chutes, puxões de cabelo e pontapés.

Não é a primeira vez que assisto reportagens deste tipo, e infelizmente não será a última. O que lamento profundamente é que nossas autoridades não conseguem fazer quase nada em relação a esta questão.

Não por sua culpa exclusiva, ou incompetência em tratar esta questão, mas mais pela forma com que a sociedade brasileira trata este e outros casos de violência.

A coisa é mais ou menos assim. Quando nossos filhos, parentes ou amigos são vítimas de violência, a culpa é do governo e dos outros.

Já se nossos filhos, parentes ou amigos são os algozes dos outros, é tudo diferente. Primeiro negamos, depois vitimizamos os “nossos”, a seguir, afirmamos que é perseguição, e por fim transferimos a culpa aos agredidos, tipo “quem manda ser gordo, magro, alto, baixo, negro, oriental, nordestino, muçulmano, judeu”, e por aí vai.

São pessoas “sem noção” que querem as leis para os outros, nunca para todos.

Como sempre me diz um velho e sábio amigo: “se fosse pelo número de leis, o Brasil seria um país de primeiríssimo mundo”.

Não basta punir. Temos que transformar estas punições em medidas educativas eficientes e inibidoras de novas transgressões. Se não fizermos assim, continuaremos “correndo atrás do rabo”, vitimizando cada vez mais os transgressores e transferindo a culpa para os agredidos (as verdadeiras vítimas) e para o governo.

Ou cumprimos as regras e leis ou nos tornaremos vítimas desta “perigosa omissão”.





Opinião do internauta

  • Rúdi Maria Cristani (27.06.2012 | 10.26)
    Não sou jovem, muito menos me considero velha. Sou da década do Sr.Ricardo. Mas qdo me dirigia p/a Escola, se tinha oportunidade(ele viajava) meu saudoso e amado pai dizia:" que venha uma reclamação sua dos professores e ainda quero ver seu boletim no final do ano". Já minha mãe era quem ia nas reuniões de Pais e Mestres, a qual tb alertava: uma reclamação é vc vai se arrepender e ainda " o pai trabalha para manter seus estudos". Os professores chamavam atenção, deixavam sem recreio, chamavam os pais e estes ainda eram gratos a eles. Bons tempos, velhos tempos... e cá nós todos bem ou mal concluímos o Curso Superior. Qto ao ECA, como advogada acho que deveria ser aplicado somente em caso de violência gravíssima. Não tenho filhos, mas se os tivesse, professores estariam autorizados a comunicar-me tudo sobre seus comportamentos. Tenho certeza que saberia o que fazer.

  • Cristiano (25.06.2012 | 04.46)
    O bullying não é um problema apenas desta ou até mesmo de uma geração atrás. Posso dizer isso porque frequentei escola apartir de 1980 e este tipo de atitudes por parte de alguns alunos já existia. Muitas vezes tal violência é gerada por diversos distúrbios por parte do agressor, seja ele psicológico, psicótico, sociopata, bipolaridade ou até mesmo um motivo banal como por exemplo ciúmes de uma namorada, amigo, etc. Acontece que os problemas escolares hoje são tratados todos como bullying. Errado. Nem tudo é bullying e sim atos de incapacidade mental por algum problema que muitas vezes clinicamente ou através de algum teste possa ser comprovado. Estatísticamente em torno de 5% da população sofre de alguma anomalia citada acima e para quem conhece este tipo de doença sabe que o agressor não está fazendo bullying, mas sim algo da sua própria natureza. Solução, termos em cada escola deste país profissionais que possam identificar tais crianças com tais distúrbios e assim trata-las para que tenham maior trato e cidadania para com seus colegas e amigos. A culpa, neste caso, não é somente da familia do agressor que faz vista grossa ou mesmo desconhece tal doença em seu filho, muito menos dos pais dos agredidos que somente podem lamentar e tão pouco das autoridades que não sabem o que tratar, portanto, temos que analisar caso à caso e tratar o que realmente acontece nessas agressões. Mas enfim, parabéns pelo texto. Abs.

  • James (25.06.2012 | 04.44)
    Impossível fazer qualquer coisa. O ECA impede, ai de você se intervir e "tocar" num dos meliantes...

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