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27.06.2012 | Opinião

O julgamento dos mensaleiros.

O julgamento dos mensaleiros.

Apesar de alguns revisionistas insistirem de que além de não saberem de nada, nada aconteceu, parece que o Mensalão vai mesmo entrar na pauta do Supremo Tribunal Federal e os mensaleiros, finalmente, vão sentar no banco dos réus.

O julgamento dos 38 acusados de participar do maior esquema de corrupção desde a redemocratização vai começar no dia 2 de agosto.

Ontem à tarde, o revisor do processo, ministro Ricardo Lewandowski, concluiu seu voto. Lewandowski reclamou da pressão para devolver o processo, considerado um dos mais importantes da história do país e da Corte. O ministro do STF ficou contrariado com o presidente da Suprema Corte, ministro Carlos Ayres Britto, que chegou a oficiá-lo na semana passada sobre a necessidade de entregar a revisão pronta até a última segunda-feira.

O Partido dos Trabalhadores (PT) e em especial o ex-presidente Lula (que não sabia de nada) tentam de todas as maneiras possíveis adiar o julgamento por conta das eleições municipais deste ano.

O desgaste ao PT é inevitável. O retorno do mensalão aos holofotes vai trazer à tona temas já esquecidos por muitos, num momento em que a efervescência política é grande e o voto uma arma que pode prejudicar o PT e seus aliados.

Uma possível condenação de petistas ilustres, entre eles José Dirceu, o ex-deputado José Genuíno, o ex-tesoureiro da legenda, Delúbio Soares, e o deputado federal e candidato a prefeito de Osasco, João Paulo Cunha, pode complicar os resultados das urnas para o PT.

Não posso me esquecer das palavras de nosso ex-presidente Lula, em reunião ministerial em 12 de agosto de 2005: "Eu me sinto traído por práticas inaceitáveis. Indignado pelas revelações que chocam o país, e sobre as quais eu não tinha qualquer conhecimento"..."Não tenho nenhuma vergonha de dizer que nós temos de pedir desculpas. O PT tem de pedir desculpas. O governo, onde errou, precisa pedir desculpas".

Hoje Lula mudou de opinião e afirma que tudo não passou de uma conspiração para derrubar seu governo. Antes ele não sabia de nada e teria sido traído, agora tudo não passou de uma conspiração (sic).

Vale lembrar que o Procurador Geral da República, que denunciou os mensaleiros, é indicado exclusivamente pelo Presidente da República, e no caso do atual e do anterior, eles foram indicados por Luis Inácio Lula da Silva.

Agora é ver no que vai dar e esperar que se faça justiça, nada mais do que justiça.


Entenda as acusações contra cada um dos réus no processo

Abaixo a lista dos 40 réus na ação penal do mensalão - dos quais 36 foram acusados - e os crimes em que o Ministério Público quer condenar cada um dos envolvidos, com base nas alegações da Procuradoria-Geral da República.

As penas, contudo, podem ser maiores do que as apresentadas abaixo, uma vez que o Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, alegou que alguns dos réus incorreram mais de uma vez no mesmo delito:

Anderson Adauto (ex-ministro dos Transportes) – Corrupção ativa (dois a 12 anos de reclusão e multa) e lavagem de dinheiro (três a dez anos de reclusão e multa).

Anita Leocádia (ex-assessora do deputado Paulo Rocha) – Lavagem de dinheiro (três a dez anos de reclusão e multa).

Antônio Lamas (irmão de Jacinto Lamas) – A PGR pede sua absolvição por falta de provas.

Ayanna Tenório (ex-vice presidente do Banco Rural) – Responde pelo crime de gestão fraudulenta de instituição financeira (pena varia de três a 12 anos de reclusão e multa), lavagem de dinheiro (três a dez anos de reclusão e multa) e formação de quadrilha (um a três anos).

Breno Fischberg (ex-sócio da corretora Bônus-Banval) – A PGR quer sua condenação pelos crimes de formação de quadrilha (pena de um a três anos), lavagem de dinheiro (três a dez anos de reclusão e multa).

Carlos Alberto Quaglia (operador de câmbio) – A PGR quer sua condenação por formação de quadrilha (pena de um a três anos de reclusão). Ele também responde por incorrer sete vezes em crimes de lavagem de dinheiro (três a dez anos de reclusão e multa).

Carlos Alberto Rodrigues Pinto (bispo Rodrigues, ex-deputado) – Responde pelo crime de corrupção passiva (pena de dois a 12 anos e multa) e por lavagem de dinheiro (três a dez anos de reclusão e multa).

Cristiano Paz (ex-sócio de Marcos Valério) – A PGR quer sua condenação por dois crimes de corrupção ativa (dois a 12 anos de reclusão e multa), formação de quadrilha (um a três anos), evasão de divisa (dois a seis anos de reclusão), peculato (dois a 12 anos e multa) e lavagem de dinheiro (três a 10 anos e multa).

Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT) – Responde por formação de quadrilha (uma a três anos e multa), e corrupção ativa (dois a 12 anos de detenção e multa).

Duda Mendonça (ex-marqueteiro do PT) – A PGR quer sua condenação pelos crimes de lavagem de dinheiro (três a dez anos de reclusão e multa) e evasão de divisas (dois a seis anos e multa).

Emerson Eloy Palmieri (ligado a Roberto Jefferson) – Incorreu, segundo o MP, nos crimes de corrupção passiva (dois a 12 anos de reclusão e multa) e lavagem de dinheiro (três a 10 anos de detenção e multa).

Enivaldo Quadrado (dono da corretora Bônus-Banval) – Formação de quadrilha (dois a 12 anos de reclusão e multa) e lavagem de dinheiro (três a 10 anos de reclusão e multa).

Geiza Dias (ex-funcionária de Marcos Valério) - Lavagem de dinheiro (três a 10 anos de reclusão e multa), corrupção ativa (dois a 12 anos), formação de quadrilha (um a três anos), evasão de divisas (dois a seis anos de reclusão)

Henrique Pizzolato (ex-diretor de marketing do Banco do Brasil) – A PGR quer sua condenação pelos crimes de peculato (dois a 12 anos de reclusão e multa), corrupção passiva (dois a 12 anos e multa), lavagem de dinheiro (três a 10 anos e multa).

Jacinto Lamas (irmão de Antônio Lamas) - Formação de quadrilha (um a três anos de reclusão), lavagem de dinheiro (três a 10 anos e multa), corrupção passiva (dois a 12 anos e multa).

João Claudio Genu (ex-assessor da liderança do PP) - Formação de quadrilha (reclusão de um a três anos), corrupção passiva (dois a 12 anos e multa) e lavagem de dinheiro (três a 10 anos e multa).

João Magno (ex-deputado PT-MG) - Lavagem de dinheiro (três a 10 anos de reclusão e multa).

João Paulo Cunha (ex-presidente da Câmara) - Lavagem de dinheiro (três a 10 anos e multa), corrupção passiva (dois a 12 anos e multa) e peculato (dois a 12 anos e multa).

José Borba (ex-deputado PMDB-PR) - Corrupção passiva (dois a 12 anos e multa); Lavagem de dinheiro (três a 10 anos de reclusão e multa).

José Dirceu (ex-ministro Chefe da Casa Civil) - Corrupção ativa (dois a 12 anos e multa), formação de quadrilha (um a três anos de reclusão).

José Genoino (Ex-presidente do PT) - Corrupção ativa (dois a 12 anos e multa); formação de quadrilha (um a três anos de reclusão).

José Janene – Falecido.

José Luiz Alves (ex-diretor financeiro do ministério dos Transportes) - Lavagem de dinheiro (três a 10 anos de reclusão e multa).

José Salgado (ex-vice-presidente do Banco Rural) - Gestão fraudulenta (pena varia de três a 12 anos de reclusão e multa), lavagem de dinheiro (três a 10 anos de reclusão e multa), formação de quadrilha (um a três anos de reclusão) e evasão de divisas

Kátia Rabello (ex-presidente do Banco Rural) - Gestão fraudulenta (três a 12 anos de reclusão e multa), lavagem de dinheiro (três a 10 anos de reclusão e multa), formação de quadrilha (um a três anos de reclusão) e evasão de divisas (dois a seis anos de reclusão e multa).

Luiz Gushiken (ex-secretário de Comunicação Social da Presidência da República) – Absolvido pela PGR em suas alegações finais por falta de provas.

Marcos Valério (acusado de ser operador do esquema e dono de agências de publicidade) - Corrupção ativa (dois a 12 anos e multa); peculato (dois a 12 anos e multa), lavagem de dinheiro (três a 10 anos de reclusão e multa), formação de quadrilha (um a três anos de reclusão) e evasão de divisas (dois a seis anos de reclusão e multa).

Paulo Rocha (ex-deputado PT-PA) - Lavagem de dinheiro (três a 10 anos de reclusão e multa).

Pedro Corrêa (ex-presidente do PP) - Formação de quadrilha (um a três anos de reclusão), corrupção passiva (dois a 12 anos e multa) e lavagem de dinheiro (três a 10 anos de reclusão e multa).

Pedro Henry (ex-deputado PP-MT) - Formação de quadrilha (um a três anos de reclusão), corrupção passiva (dois a 12 anos e multa) e lavagem de dinheiro (três a 10 anos de reclusão e multa).

Professor Luizinho (ex-deputado pelo PT-SP) - Lavagem de dinheiro (três a 10 anos de reclusão e multa).

Rámon Hollerbach (ex-sócio de Marcos Valério) - Corrupção ativa (dois a 12 anos e multa), peculato (dois a 12 anos e multa), lavagem de dinheiro (três a 10 anos de reclusão e multa), formação de quadrilha (um a três anos de reclusão), evasão de divisas (dois a seis anos de reclusão e multa).

Roberto Jefferson (ex-deputado e delator do esquema) - Corrupção passiva (dois a 12 anos e multa) e lavagem de dinheiro (três a 10 anos de reclusão e multa).

Rogério Tolentino (apontado pelo MP como sócio Marcos Valério) - Lavagem de dinheiro (três a 10 anos de reclusão e multa), corrupção ativa (dois a 12 anos e multa) e formação de quadrilha (um a três anos de reclusão).

Romeu Queiroz (ex-deputado federal e atual deputado Estadual em Minas Gerais) - Corrupção passiva (dois a 12 anos e multa) e lavagem de dinheiro (três a 10 anos de reclusão e multa).

Silvio Pereira (ex-secretário Geral do PT) – Está fora do processo pois fez acordo e cumpriu pena alternativa.

Simone Vasconcelos (ex-gerente financeira de uma das agências de Marcos Valério) - Lavagem de dinheiro (três a 10 anos de reclusão e multa), corrupção ativa (dois a 12 anos e multa), formação de quadrilha (um a três anos de reclusão) e evasão de divisas (dois a seis anos de reclusão e multa).

Valdemar da Costa Neto (ex-presidente do PL) - Formação de quadrilha (um a três anos de reclusão), lavagem de dinheiro (três a 10 anos de reclusão e multa) e corrupção passiva (dois a 12 anos e multa).

Vinícius Samarane (ex-diretor do Banco Rural) - Gestão fraudulenta (três a 12 anos de prisão e multa), lavagem de dinheiro (três a 10 anos de reclusão e multa), formação de quadrilha (um a três anos de reclusão) e evasão de divisas (dois a seis anos de reclusão e multa).

Zilmar Fernandes (sócia de Duda Mendonça) - Lavagem de dinheiro (três a 10 anos de reclusão e multa) e evasão de divisas (dois a seis anos de reclusão e multa).





Opinião do internauta

  • jose sergio (27.06.2012 | 10.18)
    Acredito piamente que ninguém vai ser punido nesse evento do mensalão. Os tribunais estão lotados de crimes contra o patrimônio público. CORRUPÇÃO ATIVA/PASSIVA. Conheço mais de uma centena deles que nunca deu em nada. Quem quiser se dedruçar e pesquisar um pouco desses processos vai ficar horrorisado. O destino deles é sempre o mesmo, as gavetas. Nas secretarias de saúdo desse Riogrande, nas prefeituras, nos Daer da vida isso é rotina, ou seja, corrupção de agente público é rotina nojenta, muito banal. O próprio STF quem está para julgar mais um evento de corrupção é uma instituição corrupta. Corrupta e muito corrupta, basta ver seus integrantes, a forma que são alçados para tais cargos. As decisões corporativas que assumem, o conluio de seus ministros com canalhas de toda espécie da república. É o Brasil. Nessas horas, uma mão lava a outra. Os telhados de vidro estão por todas instituições deste país. Mensalão? Interessante! A midia não está interessada em punir homens, em imputar penas, em exigir mecanismos que inibam tais práticas. O interesse é assaz conhecido. Desgastar o PT. Apenas desgastar, desgastar ao máximo. Corrupção de agente público? Que novidade. A maior mentira que a midia (a famosa revista, icone da oposição direitista desse país) criou - "O maior escandalo de corrupção já visto nesse país". Que balela! So querem apear o PT do poder.e. Moralidade no setor público? Vamos criar mecanismo para evitar essa prática nefasta ao país. Punir corrupto. Conversa! Tenho certeza que nunca vou ver um político atraz das grades, neste país. É nitida, clara tal intenção, ou seja, desgastar o atual governo nas vesperas das eleições. O jogo é esse. O PT não faria diferente. Agora, tentar enganar o povo que a intenção é punir político, moralizar o setor público, é ação para enganar imbecil. O problema desse país é judicial. Ninguém é punido com seu patrimonio. A atual legislação favorece os corruptos. Mudar esse status quo seria ação eficiente, honesta, descabida de ideologia. Quando isso ocorrerá?? Nesse país de conluios políticos, de impunidade complacentes de interesses classistas, ... jamais, infelizmente. Votar .. não, nisso não me pegam mais.

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