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13.12.2017 | Mundo

Mercosul e UE adiam acordo de livre comércio

Reunidos na Conferência da OMC em Buenos Aires, Mercosul e UE não chegaram a um acordo.

Possível anúncio de acordo está agora previsto para 21 de dezembro, durante a reunião de Cúpula do Mercosul em Brasília.
Márcio Resende, correspondente da RFI Brasil em Buenos Aires

O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, negociado há 20 anos, está na reta final, mas ainda não foi desta vez que cruzou a linha de chegada. A expectativa de um anúncio nesta quarta-feira (12) em paralelo ao término da XI Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) foi frustrada.

A União Europeia não apresentou nenhuma melhora nas condições de acesso ao seu mercado, sobretudo em setores importantes para a produção do Mercosul como o etanol e a carne. Por outro lado, os europeus exigiram, como contrapartida para uma melhora, que o bloco sul-americano abrisse mais o seu mercado aos produtos industrializados europeus, permitindo o acesso de automóveis, têxteis e calçados, mas também de produtos processados agrícolas como laticínios, vinhos e destilados, azeite de oliva e chocolates, entre outros.

O Mercosul cedeu, mas a resposta europeia pode não ser imediata. Assim, o ansiado anúncio de um pré-acordo que marcasse um ponto de inflexão do qual não se pudesse mais recuar foi adiado até a resposta dos negociadores europeus. A área de livre comércio que integrará as maiores economias da América do Sul com a Europa continua ao alcance das mãos, mas ainda não foi atingida.

"Agora, estamos esperando a reação (europeia) para estudar a proposta que nós apresentamos para verificar se é possível concluir, e quando é possível concluir, essa parte mais difícil da negociação que é o acesso aos mercados", explicou aos jornalistas brasileiros o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, ao sair da reunião.

"Eles garantiram que vão estudar com uma visão muito positiva aquilo que nós propusemos, mas eles evidentemente têm um mecanismo mais complexo de consultas. São muitos países", completou o ministro.

Mercosul cedeu à pressão da UE

Esse processo de aproximação final entre as partes é a reta final para as barganhas prévias ao fechamento de um acordo. A União Europeia queria que 90% do que exporta ao Mercosul tivesse tarifa zero, sem exclusão de setores. O número que o Mercosul tinha apresentado nas últimas semanas já havia elevado essa abrangência de 87% a 89%. Nesta rodada de negociações, os sul-americanos cederam e chegaram aos 90% como os europeus exigiam.

Os negociadores europeus também querem que o período máximo de transição para a abertura total do mercado não passe de 10 anos. Esse prazo é cinco anos a menos do que Brasil e Argentina pretendem para defenderem os seus setores mais sensíveis enquanto os preparam para a concorrência dos 27 países comunitários.

"O que nós tínhamos acordado há algumas semanas era chegarmos a 90% de desgravação (eliminação de taxação) do comércio com a União Europeia. Faltavam ainda alguns elementos para isso, que nós incluímos agora", contou Aloysio Nunes, indicando que são os produtos industrializados europeus vendidos em supermercados.

Pelo lado do Mercosul, as negociações incluem, além dos negociadores, os ministros das Relações Exteriores de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Pelo lado europeu, os comissários de comércio, Cecilia Malmström, e de Agricultura, Phil Hogan.

Bola no campo europeu

Os brasileiros pediram que a União Europeia propusesse um programa de trabalho. "Para que nós pudéssemos concluir (o acordo) o mais cedo possível. Mas ainda há trabalho a ser feito sobretudo do lado deles", indicou Aloysio Nunes.

Depois de participar da sessão inaugural da OMC no domingo, o presidente Michel Temer apontou a data de 21 de dezembro como um possível horizonte, caso o acordo não fosse anunciado até quarta-feira em Buenos Aires. Nessa nova data, o Mercosul se reunirá em Brasília para a Cúpula semestral do bloco.

"É muito provável que até dia 21, quando tivermos a reunião do Mercosul no Brasil, nós possamos dar mais um passo, pelo menos uma espécie de acordo político. Se não concluirmos no dia 21, seguramente vamos concluir em seguida", sinalizou Temer.

Fonte: Rádio França Internacional


Tags: Mercosul, UE, União Europeia, livre comércio





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