RicardoOrlandini.net - Informa e faz pensar - Notícias - Em meio a tensões com Pequim, EUA abrem embaixada de fato em Taiwan

Últimas notícias

Notícias

RSS
13.06.2018 | Mundo

Em meio a tensões com Pequim, EUA abrem embaixada de fato em Taiwan

Nova representação diplomática em Taipé se chama oficialmente Instituto Americano em Taiwan (AIT)

Escritório no valor de 250 milhões de dólares abrigará mais de 500 funcionários e servirá aos interesses americanos na ilha, que não é reconhecida diplomaticamente por Washington desde 1979. China condena inauguração.


Nova representação diplomática em Taipé se chama oficialmente Instituto Americano em Taiwan (AIT)

Os Estados Unidos inauguraram nesta terça-feira (12/06) uma nova embaixada de fato na capital de Taiwan, uma medida que promete elevar as tensões entre Washington e a China, enquanto Taipé também vive momentos de tensão com a república asiática.

A cerimônia, que provocou uma resposta irritada de Pequim, é o mais recente sinal da tentativa de aproximação do governo do presidente Donald Trump com Taipé, em meio a disputas com a China e tensões crescentes no altamente militarizado Estreito de Taiwan.

A nova representação diplomática, que se chama oficialmente Instituto Americano em Taiwan (AIT, na sigla em inglês), custou cerca de 250 milhões de dólares e abrigará mais de 500 funcionários em seus 65 mil metros quadrados de área, que, segundo fontes, será protegida por fuzileiros navais americanos.

A embaixada de fato servirá aos interesses americanos na ilha, na ausência de laços diplomáticos formais – Washington não reconhece diplomaticamente Taipé desde 1979, quando trocou o reconhecimento de Taiwan para a China, num processo de aproximação com Pequim.

Estiveram presentes na inauguração a presidente taiwanesa, Tsai Ing-wen, e o primeiro-ministro do país, William Lai. Do lado americano, compareceram a secretária adjunta de Assuntos Educativos e Culturais do Departamento de Estado, Marie Royce, e o deputado Gregg Harper, entre outros.

"A amizade entre Taiwan e EUA nunca foi tão promissora", disse a presidente taiwanesa durante a cerimônia, acrescentando que se trata da "declaração mais sólida possível sobre a saúde dos laços [...] e o reflexo de uma profunda amizade e valores compartilhados" entre os dois países.

Por sua vez, o diretor do AIT, Kin W. Moy – que equivale ao embaixador americano em Taiwan, apesar de não receber oficialmente o nome –, declarou que "todos deveriam se orgulhar desse marco, que é um símbolo da estreita cooperação e amizade duradoura entre EUA e Taiwan".

Em declaração semelhante, a americana Royce afirmou que a nova embaixada é um "símbolo da força e da vitalidade da parceria Estados Unidos-Taiwan no século 21".

Questionado sobre a inauguração nesta terça-feira, um porta-voz do Ministério do Exterior chinês manifestou a preocupação de Pequim e reiterou que uma queixa formal foi apresentada a Washington por conta de sua relação com Taipé.

"Pedimos aos Estados Unidos que corrijam suas más ações para evitar abalar as relações entre China e EUA, além da paz e da estabilidade", afirmou o porta-voz Geng Shuang. Segundo ele, a presença de autoridades americanas em Taiwan viola acordos diplomáticos e representa uma interferência em assuntos internos da China.

A delegação de Washington em Taipé não foi de alto escalão devido à cúpula entre o presidente Trump e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, realizada nesta terça-feira em Cingapura, e aos protestos da China, que defende que Taiwan é parte inseparável de seu território.

http://www.dw.com/image/44169896_401.jpg
Representantes americanos e taiwaneses durante a cerimônia de inauguração em Taipé

Desde que foi eleito presidente, Trump protagonizou uma evidente aproximação com a ilha, incluindo uma conversa por telefone com a presidente taiwanesa – a primeira entre líderes dos dois países desde que Washington rompeu suas relações diplomáticas com Taipé há quase 40 anos.

Apesar de não reconhecerem Taiwan diplomaticamente, os americanos mantiveram a parceria com o país, a quem fornecem armas, e se declaram comprometidos com a segurança da ilha.

Além disso, em março, Trump assinou uma lei que deu fim às restrições a viagens oficiais entre funcionários de alto escalão americanos e taiwaneses. Em maio, a Casa Branca condenou a China por exigir que companhias aéreas internacionais, em suas páginas da internet, se referissem a Taiwan como parte de seu território.

Taipé, por sua vez, diante da crescente intimidação militar e diplomática da China, prometeu aos Estados Unidos uma estreita cooperação em sua iniciativa por uma região do Indo-Pacífico livre e aberta, e se aproximou mais de Washington em busca de proteção e apoio.

Os EUA, contudo, querem agora evitar um atrito direto com a China, já que precisam de sua colaboração para avançar em direção à desnuclearização da Coreia do Norte, reforçada na cúpula desta terça-feira. Além disso, Washington e Pequim vêm negociando na tentativa de evitar uma guerra comercial, após a imposição de pesadas tarifas entre ambas potências.

Enquanto isso, a China segue com sua estratégia de isolar Taiwan pelas más relações do regime comunista com o governo da independentista Tsai Ing-wen. Pequim cortou seus contatos com Taipé, reduziu o número de turistas chineses que visitam a ilha e aumentou sua ameaça militar com patrulhamento aéreo em torno da ilha e velejando seu porta-aviões pelo Estreito de Taiwan.

A questão China-Taiwan

A questão taiwanesa é um dos temas mais delicados na República Popular da China, que considera a ilha de Taiwan (ou Formosa) como parte do seu território, na forma de uma província dissidente. Se a ilha tentar sua independência, deve ser impedida à força, na interpretação chinesa.

Já o governo de Taiwan, ou oficialmente República da China, vê-se como um estado soberano, com constituição, forças armadas, moeda e eleições democráticas. Na prática, Taiwan é separado da China desde 1949.

No âmbito internacional, os dois governos se viram durante muito tempos como representantes únicos da nação chinesa e consideraram o outro lado como ilegítimo. Até os anos 1970, a maioria dos países alinhados aos Estados Unidos considerava a República da China (Taiwan) como a única China, enquanto que o bloco comunista dava esse status à República Popular da China.

No Conselho de Segurança da ONU, por exemplo, a cadeira reservada à China era ocupada pelo governo da República da China, ou Taiwan. Só em 1971 as Nações Unidas mudaram de posição, passando a reconhecer a República Popular da China como representante da nação chinesa.

EK/afp/ap/efe/rtr

Fonte: Deutsche Welle


Tags: diplomacia, China, Taiwan, Estados Unidos





Opinião do internauta

Deixe sua opinião

Datas anteriores:

notícias Relacionadas

Comemoramos hoje - 19.08

  • Dia de São Luis de Tolosa
  • Dia do Anjo Acaiah
  • Dia do Artista de Teatro
  • Dia do Fotógrafo e da Fotografia