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13 de dezembro de 1939.

Segunda Guerra Mundial: Batalha do Rio da Prata: o encouraçado-de-bolso alemão, Almirante Graf Spee, enfrenta 3 cruzadores britânicos, no litoral do Uruguai

O Couraçado Admiral Graf Spee  em Montevidéu após a batalha

Couraçado Admiral Graf Spee foi um navio de guerra da Marinha da Alemanha (Kriegsmarine) durante a Segunda Guerra Mundial. O nome do navio é uma homenagem ao almirante Graf Maximilian von Spee (1861-1914), que morreu, juntamente com dois de seus filhos, na Batalha das Ilhas Malvinas em 8 de dezembro de 1914. O navio celebrizou-se por sua participação como pivô na Batalha do Rio da Prata, travada próxima ao estuário do rio da Prata, Uruguai.

O lançamento do navio teve lugar no dia 30 de junho de 1934 com o almirante Erich Raeder (1876–1960) fazendo um discurso de pré-lançamento, sendo o batismo realizado por Huberta Gräfin von Spee, filha do falecido almirante Maximilian von Spee.

Ele foi lançado ao mar logo nos primeiros meses da guerra com a missão de caçar navios mercantes ingleses nas águas do Atlântico Sul.


Admiral Graf Spee em 1936.

História

Ao final da Primeira Guerra Mundial, os países vencedores, haviam punido a Alemanha com o cumprimento do Tratado de Versalhes, que a obrigava a manter e construir navios somente dentro do limite de tonelagens permitidos pelo mesmo. Isto fazia com que a Marinha Alemã ficasse dentro de parâmetros estabelecidos, não representando risco para as demais nações. Naquela época, os maiores navios de guerra tinham um deslocamento (peso da água deslocada) de cerca de 30.000 toneladas e levavam canhões de 318 mm, 356 mm e até de 406 mm. As condições impostas a Alemanha pelo tratado limitava além do peso, o armamento que não poderia ultrapassar duas torres por navio com três canhões de 280 mm(11 pol).

Diante disto, a Alemanha começou a utilizar outros estratagemas. Surgiam desta forma os famosos "couraçados de bolso", que tinham limitação de 11.000 toneladas. Porém o Admiral Graf Spee quebrou a tolerância, ficando com um peso de 16.200 t (plena carga). Por outro lado, a Marinha Alemã havia desenvolvido métodos inovadores, tais como, a substituição de rebites por solda elétrica, o que diminuía substancialmente o peso do navio, pois, não necessitava das cintas de rebitação (placas de aço sobrepostas).

Além disso, o Graf Spee possuia de maneira inovadora oito motores movidos a diesel, que fugia da configuração convencional, que utilizava caldeiras.

A redução de peso lhe permitiu carregar uma arma principal de calibre muito maior do que um cruzador pesado da época, mantendo-se perto do limite de deslocamento do Tratado de Versalhes. Portanto, a classificação dada a ele pelos britânicos e de seus dois irmãos, Couraçado Deutschland e Couraçado Almirante Scheer, como encouraçados de bolso.

Tecnologicamente, o Admiral Graf Spee estava à frente de seu tempo, sendo o primeiro navio da Kriegsmarine a ser equipado com radar Seetakt, e telêmetros de tiro de alta precisão.

Campanha

Em 1936, Admiral Graf Spee serviu como capitânia da frota até 1938 e executou funções de controle marítimo internacional na costa da Espanha durante a Guerra Civil Espanhola. Seu último Comandante foi o Capitão Hans Langsdorff (1894-1939), Oficial Naval de longa data que tivera participação na Batalha da Jutlândia (Primeira Guerra Mundial) e que assumira o comando do navio em 1º de novembro de 1938, pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial.

Antes da invasão da Polônia, foram feitos planos para que o navio navegasse abaixo da Linha do Equador, partindo do porto de Wilhelmshaven, em 21 de agosto de 1939, três dias antes da assinatura do Pacto Molotov-Ribbentrop. Sua função era atuar como navio corsário no comércio do Atlântico Sul. Desta forma, Langsdorff traçou um curso que atravessava grandes linhas de navegação durante a noite para evitar a detecção. Apoiado pelo seu navio de abastecimento, o Petroleiro Altmark, suas ordens eram para afundar navios mercantes britânicos, mas evitar a todo custo o combate com forças inimigas.

Após afundar nove navios mercantes, o Graf Spee resolveu tentar uma última investida próxima da bacia do rio da Prata, mas em vez de se deparar com mercantes encontrou uma força inglesa com três navios (HMS Ajax (22), HMNZS Achilles (70) e HMS Exeter (68)). Após um combate confuso, em que o Graf Spee foi danificado, o comandante Hans Langsdorff ordenou que o navio buscasse refúgio no porto de Montevidéu, no Uruguai.

O comandante Langsdorff foi intimado pelo governo uruguaio a deixar o porto, porém os três navios ingleses aguardavam o Graf Spee para um combate final. Em inferioridade numérica, com o navio danificado e com ordens de Adolf Hitler de não o deixar ser capturado pelos ingleses, Langsdorff desembarcou sua tripulação e fez com que o couraçado fosse pelos ares e afundasse completamente, isso sob olhares da imprensa local e estrangeira que registrou o fato. Após isso, o comandante Langsdorff suicidou-se alguns dias depois envolto na bandeira de combate alemã. O filme inglês de 1956, The Battle of the River Plate, (A Batalha do Rio da Prata) dramatiza esta batalha.

A Batalha do Rio da Prata

A Batalha do Rio da Prata foi a primeira grande batalha naval da Segunda Guerra Mundial, foi travada entre as marinhas inglesa e alemã. O combate aconteceu no Atlântico Sul em 13 de dezembro 1939, próximo ao estuário do rio da Prata.

Em 21 de agosto de 1939, o Admiral Graf Spee deixou o porto de Wilhelmshaven (Alemanha), na costa do mar do Norte, com ordens secretas de atacar a navegação comercial no Atlântico Sul. As quais deveriam ser executadas, após a declaração oficial de guerra.

A estratégia de Adolf Hitler faria com que antes da declaração de guerra o navio pudesse navegar em águas internacionais sem problema. Com esta estratégia, quando a declaração fosse feita o navio já estaria abaixo da linha do Equador. Durante três semanas, o navio navegou em oceano aberto a leste do Brasil. Finalmente em 20 de setembro de 1939, o Admiral Graf Spee foi liberado para executar suas ordens.

As ordens seriam para que o encouraçado pudesse atacar como um corsário, nos locais mais inesperados a fim de manter as esquadras aliadas dispersas, principalmente a Home Fleet, facilitando o desenvolvimento de outras ações navais contra a Inglaterra.

Neste contexto, o Graf Spee ficou com o sul do Equador como zona de operações, ficando o Deutschland com o Atlântico Norte.


Mapa dos ataques do Graf Spee.

Ataques

Em 30 de setembro de 1939, o Graf Spee começou a sua caçada, afundando o cargueiro Clement, na altura de Alagoas. Logo após o encouraçado abandonou a área, dirigindo-se ao meio do oceano. Em 7 de outubro de 1939, afundou duas embarcações britânicas, o Newton Beach e o Ashlea. Em 10 de outubro de 1939, afundaria o Huntsman e o Trevasnion em 22 de outubro de 1939. Todos os marinheiros capturados eram trazidos a bordo e logo após o encouraçado abandonava a área como de costume. O fato de tantos navios não chegarem aos portos levantou a suspeita da Marinha Britânica, que emitiu um aviso de alerta a todas as embarcações que navegavam no Atlântico Sul.

Logo o capitão Hans Langsdorff, marinheiro experiente, utilizaria táticas de pirataria para confundir o inimigo. Entre estas técnicas, estava a modificação da aparência do navio, com falsas placas de madeira e lonas, criando estruturas diferentes das de um navio de guerra. A pintura de nomes e utilização de bandeiras confundiam os navios comerciais, tomando-o como um navio mercante. Uma destas modificações fazia com que parecesse com seu irmão gêmeo, o Deutschland, que deveria estar operando no Atlântico Norte. Isto confundiu a armada britânica várias vezes.

Desta forma a Marinha Britânica, destacou para o Atlântico Sul a Força de Caça G, com a finalidade de proteger os navios que operavam principalmente na região do rio da Prata, local que era responsável por 40% dos produtos primários embarcados ao Reino Unido. Esta força era composta por dois cruzadores pesados (Cumberland e o Exeter) e dois cruzadores leves (Acilles e o Ajax). Esta força-tarefa, seria chefiada pelo Comodoro inglês Henry Harwood, tendo como navio-capitânia do HMS Exeter, e como base Port Stanley, nas ilhas Malvinas

Em 2 de dezembro de 1939, o cargueiro Doric Star foi capturado ao largo da costa da África. Porém, antes, conseguiu emitir o sinal de rádio "RRR" (ataque de corsário), indicando que estava sob ataque do Graf Spee. Quando o Comodoro Harwood, da Força de Caça "G", composta pelo Achilles, Ajax e Exeter, recebeu as notícias do Doric Star, concluiu que o Graf Spee a seguir cruzaria o Atlântico Sul em direção à América do Sul, para evadir-se à perseguição que certamente se seguiria. Harwood sempre acreditara que, cedo ou tarde, o comandante Langsdorff seguiria para a área do rio da Prata, para tirar vantagem do intenso tráfego mercante dos portos de Buenos Aires e Montevideo. A seguir emitiu ordens para que a Força G viesse a concentrar-se nas imediações do rio da Prata.

A marinha inglesa sabia que o Graf Spee não resistiria à tentação ao grande número de navios mercantes que demandavam do centro comercial do rio da Prata e deslocou três cruzadores no seu encalço: o Ajax, o Achilles e o Exeter, ficando ainda o Cumberland como reserva nas ilhas Malvinas (Falklands), complementando um conserto.


Mapa da batalha.

A Batalha

Após o último encontro com o seu reabastecedor, o navio-tanque Altmark, o Graf Spee, a 6 de dezembro de 1939, seguiu para o rio da Prata, onde fez a sua última preza, o Streonshalh.

Durante a noite de 12 de dezembro de 1939, os navios ingleses iniciaram sua tática para um possível confronto, navegariam em formação cerrada, onde teriam contato visual e na eventualidade de um ataque, concentrar seu poder de fogo. Outro fato seria: ao amanhecer navegar a favor do sol para dificultar a visibilidade do navio alemão, que teria o sol de proa. A marinha britânica sabia que num confronto direto com o cruzador alemão, sairiam perdendo. Devido ao alto poder de fogo de seus canhões de 280 mm (11 pol. x 6) os quais inviabilizava qualquer confronto direto a curta distância.

O Exeter era o único cruzador pesado, da classe York, que tinha como armamento principal seis canhões de 203 mm e secundário de oito canhões de 102 mm, os cruzadores leves possuíam canhões de 152 mm. Diante disto Harwood sabia que seria difícil causar danos a superestrutura de um encouraçado, então sua estratégia seria dividir a atenção do Graf Spee. O Ajax e o Achilles iriam por um lado e o Exeter atacaria por outro, dificultando a concentração dos alemães, em responder ao ataque.

Em 13 de dezembro de 1939, o vigia do Graff Spee às 06:00 da manhã avistou duas antenas no horizonte, e enviou o alerta, logo, toda a tripulação tomou os postos de combate. Esta informação parecia confirmar que era um barco comercial britânico. Mas minutos mais tarde quando o sol já estava mais alto, foi possível identificar que realmente se tratava de três barcos de guerra britânicos. A demora na identificação por parte do Graf Spee permitiu a aproximação dos ingleses, ficando desta forma ao alcance de todos os seus canhões e, muito importante, ficando abaixo do ângulo de tiro dos poderosos canhões de 280 mm do Spee.

As 06:17 o Spee disparou contra o Exeter, pois sabia ser o mais poderoso da frota. Logo a seguir o Exeter devolveu a salva com uma sequência de disparos. Enquanto o combate inicial era travado entre os grandes navios, os cruzadores leves, mais rápidos, iniciaram a manobra de pinça, tentando cercar o cruzador alemão entre dois flancos. Esta manobra visava dividir a artilharia do Spee, dificultar o enquadramento dos seus disparos e, principalmente dificultar os cálculos dos disparos.

Uma sequência de disparos dos navios ingleses, atingiram o Spee acima da linha de flutuação, abrindo um enorme rombo no casco, além de diversos outros danos. Uma das opções do capitão do Spee foi manter o Exeter sob fogo dos canhões de 280 mm e concentrar o fogo dos canhões de 105 mm nos cruzadores leves. Manobra difícil de ser executada, principalmente em movimento de aproximação. Após a primeira parte da batalha o Exeter ficou fora de combate, pois o sistema de direcionamento de tiro e as torres dos canhões de maior calibre haviam sido danificados. Sem alternativa, o Exeter abandona o campo de batalha em meio a uma nuvem de fumaça utilizada para camuflagem. Ficando desta forma em combate somente os cruzadores leves e o Spee.

Às 07:00 da manhã o Graf Spee, sob fogo cerrado, repentinamente abandona a zona de combate. O que se seguiu após este evento, permanece até hoje como um dos maiores mistérios da Segunda Guerra Mundial. Historiadores militares, declaram que o Graf Spee, embora avariado, tinha condições de combate frente aos cruzadores leves, pois seus poderosos canhões ainda disparavam. No entanto a decisão do Capital Hans Langsdorff foi a de refugiar-se no porto de Montevidéu para efetuar reparos. O Uruguai, bem como os demais países latino-americanos estavam neutros na guerra, o que permitiria que qualquer barco com problemas solicitasse permissão para atracar e realizar reparos.

Desta forma, o navio atracou no porto solicitando conserto. O que se seguiu a partir daí, foi uma sequência de fatos que até hoje permanece envolta em mistério.

Não conseguindo os reparos necessários e pressionado pela política internacional, o comandante foi obrigado a deixar o porto. Mas a armada inglesa estava a sua espera na saída do estuário e assim que deixasse águas territoriais uruguaias ele seria novamente atacado. Desta forma, o capitão Langsdorff deu ordens de afundar o navio, o que se fez logo na saída do estuário a 17 de dezembro de 1939.


Afundamento do Graf Spee, em 17 de dezembro de 1939.

O capitão e sua tripulação se dirigiram então à Argentina, país com grande concentração de imigrantes alemães o que possibilitaria auxilio. Então, na tarde de 19 de dezembro de 1939, após enterrar seus mortos e encaminhar os feridos ao hospital, o capitão se suicidou.

Fonte: Wikipédia


Tags: Segunda Guerra Mundial, batalha, Rio da Prata, Graf Spee






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